domingo, 29 de setembro de 2024

O mesmo portão

Em todas as idas à minha cidade natal, eu sempre visito a minha rua. Ah! Quantas vezes eu andei por ela. É a Rua Arthur José Belieny, na minha Cidade Natal, Cardoso Moreira. Lá se vão mais de 30 anos que eu saí de lá.

Sempre que eu a visito, faço questão de passar naquela rua. As lembranças ali são muito fortes. É como se eu voltasse a ser criança novamente. Eu olho praquela casa e vejo minha mãe na varanda, meu pai no quintal...

E por mais que muitas coisas estejam diferentes, a rua se aproxima e você começa a vivenciar inúmeras sensações. Muita coisa nova: a rua que era de terra batida; hoje, é calçada; o pé de amêndoas que tinha em frente à casa, já não está mais lá; as cores da casa, das portas e janelas, são outras; o bar ao lado, hoje é moradia.

Mas uma coisa me causa um impacto cada vez que eu passo lá: o portão da casa é exatamente o mesmo. Não foi trocado, não foi pintado. Aquele mesmo portão, que eu cresci, entrando e saindo, continua intacto, igualzinho. É um portão simples, pequenas grades e um trinco que qualquer pessoa pode abrir e entrar quando quiser. Eu nunca imaginei que um simples portão mexesse tanto comigo.

Aliás, a cidade preserva algumas características muito legais. Algumas casas ainda mantêm muros baixos, varanda e portões sem cadeados. E conversando com as pessoas, me disseram que sim, podemos deixar a bicicleta solta, na rua, em frente à casa, no mercado, na padaria. Você vai deixar sua bicicleta e vai encontrá-la. Você conhece quantas cidades assim? Não moro numa mega cidade, mas não se pode descuidar de uma bicicleta nem por dez minutos.

São várias as circunstâncias que levam alguém a deixar sua Cidade Natal. Talvez, a principal seja necessidade ou até mesmo vontade de melhores oportunidades de estudo e emprego. Uma cidade pequena não comporta todo mundo e não consegue dar a todos as mesmas condições de crescer. Aliás, nenhum lugar dá essas condições para todos.

Voltar à cidade onde você nasceu e cresceu dá uma energia diferente. Parece que você reencontra com você mesmo, com as suas origens, com a sua história. Sem falar, é claro, da alegria que é reencontrar pessoas que há 35 anos atrás, faziam parte do seu dia a dia e ao encontrá-las, parece que você nunca saiu de lá.

E toda vez que eu voltar lá e chegar em frente aquele portão, aquele filme vai passar novamente pela minha cabeça. Certamente, eu vou chorar, vou sorrir, vou viver um turbilhão de emoções, novas ou repetidas, mas que sempre serão únicas, como se estivesse experimentando pela primeira vez.
Nilma Santos
@simplesmentenilma

 

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