Sempre que eu a visito, faço questão de passar naquela rua. As lembranças ali são muito fortes. É como se eu voltasse a ser criança novamente. Eu olho praquela casa e vejo minha mãe na varanda, meu pai no quintal...
E por mais que muitas
coisas estejam diferentes, a rua se aproxima e você começa a vivenciar inúmeras
sensações. Muita coisa nova: a rua que era de terra batida; hoje, é calçada; o
pé de amêndoas que tinha em frente à casa, já não está mais lá; as cores da
casa, das portas e janelas, são outras; o bar ao lado, hoje é moradia.
Mas uma coisa me causa
um impacto cada vez que eu passo lá: o portão da casa é exatamente o mesmo. Não
foi trocado, não foi pintado. Aquele mesmo portão, que eu cresci, entrando e
saindo, continua intacto, igualzinho. É um portão simples, pequenas grades e um
trinco que qualquer pessoa pode abrir e entrar quando quiser. Eu nunca imaginei
que um simples portão mexesse tanto comigo.
Aliás, a cidade
preserva algumas características muito legais. Algumas casas ainda mantêm muros baixos,
varanda e portões sem cadeados. E conversando com as pessoas, me disseram que
sim, podemos deixar a bicicleta solta, na rua, em frente à casa, no mercado, na
padaria. Você vai deixar sua bicicleta e vai encontrá-la. Você conhece quantas
cidades assim? Não moro numa mega cidade, mas não se pode descuidar de uma
bicicleta nem por dez minutos.
São várias as
circunstâncias que levam alguém a deixar sua Cidade Natal. Talvez, a principal
seja necessidade ou até mesmo vontade de melhores oportunidades de estudo e
emprego. Uma cidade pequena não comporta todo mundo e não consegue dar a todos as
mesmas condições de crescer. Aliás, nenhum lugar dá essas condições para todos.
Voltar à cidade onde
você nasceu e cresceu dá uma energia diferente. Parece que você reencontra com
você mesmo, com as suas origens, com a sua história. Sem falar, é claro, da
alegria que é reencontrar pessoas que há 35 anos atrás, faziam parte do seu dia
a dia e ao encontrá-las, parece que você nunca saiu de lá.
E toda vez que eu
voltar lá e chegar em frente aquele portão, aquele filme vai passar novamente
pela minha cabeça. Certamente, eu vou chorar, vou sorrir, vou viver um
turbilhão de emoções, novas ou repetidas, mas que sempre serão únicas, como se estivesse
experimentando pela primeira vez.
Nilma Santos
@simplesmentenilma
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