quinta-feira, 21 de novembro de 2024




















Todo fim de tarde era assim...

A noite se aproximava e a rua ficava lotada. Tinha a garotada que estudava, a galera que trabalhava, os que já eram pais e mães e também, um monte de gente que não se enquadrava em nenhum desses grupos. Era uma festa!

Ah! E tinha plateia também. Ou melhor, torcida. As calçadas se transformavam em arquibancadas e as varandas e janelas em camarotes.  E os times iam se formando.

Os pequenos que também queriam participar, sofriam um pouco. Eram sempre preteridos, e se entravam no time, alguém já dizia: __ “É café com leite”. Afinal de contas, você acha que esse pessoal que se reunia todos os finais de tarde, estava pra brincadeira? Era competição mesmo. Todo mundo queria ganhar.

Aos pequenos, restava aceitar as condições dos grandalhões e aguardar a sua vez. Afinal, o tempo passa e eles crescem e vão fazer exatamente a mesma coisa com os pirralhos da vez.

O jogo tinha uma democracia, mas também uma hierarquia. E nesse jogo, eu já fui de tudo. Já fui pirralha, café com leite, mas cresci e fui também aquela que na hora da escolha era uma das primeiras a ser escolhidas, até chegar o dia de escolher o meu próprio time.

Tinha todo um preparo: a rua era marcada; uma linha era feita no meio e doze passos pra cada lado para delimitar o espaço de cada time. Para a marcação do espaço, usava-se um galho de árvore qualquer para riscar a rua que era de terra batida, é claro. Nesse caso, asfalto não teria a menor graça.

Tudo isso fazia parte, mas bom mesmo, era quando o jogo começava.

__ Queimou! Não queimou! Passou raspando...

Todos conheciam as regras, mas sempre tinha alguém querendo burlar, é claro! Todo dia, tudo igual. Depois de algumas rodadas, os atletas da rua voltavam pra casa suados e famintos. Uns alegres e dando aquela gastada nos adversários, enquanto que os outros prometiam revanche para o dia seguinte.

Todos eram muito competitivos, mas era também uma grande confraternização. Briga era coisa rara. A grande maioria tinha espírito esportivo, e mesmo querendo ganhar, sabia reconhecer a derrota.

Quem viveu isso, com certeza, tem saudade. A noite se aproximava e com ela, aquele som que vinha da rua: “vamos jogar queimado?”

Nilma Santos

 

quarta-feira, 13 de novembro de 2024


Sabe cidade pequena? Aquela em que todo mundo conhece todo mundo e é impossível fazer algo escondido?

Pois foi numa dessas pequenas cidades, que uma jovem que namorava escondido, ou tentava, viu o seu nome ‘cair na boca do povo’. Tudo começou porque as curvas do seu corpo começaram a ficar arredondadas demais... e tudo que se ouvia na cidade era: ‘está grávida’, ‘está de barriga’.

A jovem preocupada com ‘o que vão pensar de mim?’, afinal de contas, era de uma família tradicional... Talvez o medo, talvez a vergonha, a fizeram negar com todas as suas forças e a cada pessoa que interpelava, até mesmo aqueles que queriam entender e ajudá-la, ela dizia que estava com sérios problemas de saúde e que seu corpo estava inchado. E sempre que alguém perguntava sobre os boatos que circulavam na cidade, ela respondia: “É calúnia! É calúnia!”

Os amigos, ao visitá-la e ouvirem sua versão dos fatos voltavam pra casa tristes e preocupados e alguns criam piamente: “é calúnia”.

Alguns dias se passaram e a pequena cidade volta a ficar em polvorosa com uma nova notícia que se espalha rapidamente:

          __ Sabe quem nasceu?

          __ Quem?

          __ Quem?

          __ Fala logo?

          __ A Calúnia!

Nilma Santos

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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Sabe aquela professora talentosíssima, que faz cartazes como ninguém, que tem uma letra invejável? Não. Não sou eu! Sabe aquela professora delicada, que dá beijinhos e abraços nos alunos e fala baixinho? Não sou eu! 

Já presenciei algumas professoras com um certo desconforto por questões como essas, e por não serem tão habilidosas com trabalhos manuais, sentiam-se de certa forma inferiores com relação a outras professoras. Certa vez, ouvi de boas professoras que saíram de uma determinada reunião, onde se destacavam muitos trabalhos que não eram o seu “ponto forte”: __ Me senti um lixo de professora.

Que triste! Ninguém é menos professora porque não tem as habilidades de outras professoras. Certa ocasião, ao participar de um evento voltado para a Educação, um palestrante falava aos professores e disse algo que me chamou atenção e que de certa forma, nos ajuda no nosso dia-a-dia. Ele disse:

 __ Valorize o seu ponto forte! E prosseguiu:

 __ Muitas pessoas focam no seu ponto fraco e seguem lamentando-se daquilo que não conseguem realizar. Todo mundo tem pontos fracos e pontos fortes. Então, descubra, qual é o seu ponto forte, ou seja, o que você sabe fazer de melhor, e foque nisso.

Assim como isso me ajudou, espero que ajude a você também. Você tem habilidades singulares. Você tem pontos fortes que podem estar sendo ofuscados pelos pontos fracos, que também, todos nós temos.

Não permita que seus pontos fracos ganhem mais visibilidades que seus pontos fortes.

Aprenda a valorizar-se! Aprenda a valorizar o seu “Ponto forte”!

Nilma Santos

terça-feira, 15 de outubro de 2024


Na vida de uma professora, como na vida, nem tudo são flores. E por mais que você queira, manter uma boa relação, sempre haverá aqueles alunos que não te acham tão legal assim...

Eu sempre procurei lidar bem com essas coisas, pois sei que ninguém, consegue agradar a todos. Isso é fato!

Um determinado dia, a aula já havia encerrado, os alunos dispensados, apenas eu, permanecia na sala. Ao arrumar minhas coisas e observar se estava tudo ok, passei por uma mesa e vi que algo estava escrito. Ao aproximar-me da mesa, li: “Professora Nilma”, e em letras garrafais: X A T A.

Fiquei muito aborrecida! Como pode uma aluna minha não saber escrever CHATA?

No dia seguinte, estava eu, novamente com aquela turma. Aproveitei para iniciar a aula com uma conversa, e comecei dizendo que já fui aluna e que também tinha minhas preferências e que não via problema nenhum em não ser tão querida por todos os alunos, mas aproveitei a ocasião e disse:

__ Quando forem escrever em algum lugar que eu sou chata, por favor, escrevam corretamente. Então, escrevi no quadro bem grande: CHATA.

Eu já havia limpado a mesa e apagado. Mas eu sabia quem havia escrito e os colegas também. Sem falar o nome de ninguém, eu dei o recado, e melhor, ensinei ortografia. Como professora de Língua Portuguesa, eu não poderia perder essa oportunidade.

Essa aluna, provavelmente, não passou a me amar a partir desse dia, mas ela aprendeu uma lição, ou algumas, quem sabe. Espero que nunca mais ela chame alguém de XATA.

Nilma dos Santos

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Que tipo de professora é você? Você se considera uma boa professora? E os seus alunos? Como será que eles enxergam você?

Imagina a cena: Uma professora experiente, com uma jornada dupla, ou tripla, que por circunstâncias da vida, no último ano de sua primeira matrícula, para estar mais perto de casa, depois de alfabetizar, trabalhar com turmas dos diversos níveis: Fundamental I e II, Ensino médio... vai trabalhar numa creche e é presenteada com uma turma de 17 crianças de 2 aninhos de idade.

O que lhe parecia assustador pelas dificuldades apresentadas, entre elas: subir e descer uma escada com crianças de 2 anos de idade, percebe? Pois bem, apesar de tudo isso, esse foi um ano marcante na vida da professora.  Então, vamos a uma dessas cenas marcantes.

Não é novidade pra ninguém que crianças brigam. E crianças de dois anos, brigam por quais motivos? Por todos: pelo brinquedo, pelo lanche, pelo lugar onde vai sentar e é claro, pela atenção da professora. E foi num cenário parecido que tudo aconteceu.

A professora desenvolvendo sua rotina diária, orientava as crianças a não brigarem, a compartilhar o espaço, os brinquedos e a atenção com os colegas, e um deles não estava entendendo muito bem as orientações e batia nos colegas. 

A professora após algumas intervenções, chama o menino, coloca do seu lado e diz: “você está vendo seus colegas batendo em alguém? Estão todos comportados. Não pode bater nos colegas.” O aluno que ouvia atentamente e parecia entender o recado leva a mãozinha fechada (como que quisesse beliscar) bem perto do braço da professora, sem tocar e diz: Você é uma ‘pefessora’ muito ridícula.

Você riu? A professora não. Mas teve vontade. (rsrsrsrsrs) 

Nilma Santos


Não me lembro de em momento nenhum da minha infância ter declarado a alguém que eu queria ser professora.

Também não tive muitas opções. Na minha época, era assim: ou você fazia o Curso Normal (Formação de Professores) ou Contabilidade. Lidar com números? Nem pensar! Sempre preferi as letras. Uma vez ouvi de uma amiga: Deus me livre de passar o dia inteiro numa escola. Ela passava o dia inteiro sentada à frente de um computador num escritório, o que para mim, também era um “Deus me livre”.

Uma memória vaga que eu tenho de quando era mais nova, eu pensava: quero trabalhar em um lugar cheio de gente. Pronto, cá estou eu, no meio de um entra e sai de gente pra todo lado.

Eu acho que quando o bichinho da educação pica alguém, fica difícil de escapar. Comigo, foi assim.

Eu me lembro da minha primeira aula (estágio), no Curso Normal. Escolhi um conteúdo que ninguém escolhia (Frações), só pra impressionar a professora que era muito exigente.

Acho que deu certo, ou está dando certo. Vivo todas as alegrias e frustrações de ser professora, num país que ainda está longe de ser o melhor nesse quesito, mas sou completamente realizada e não me arrependo.

E você, está feliz com sua profissão?

Nilma Santos

 

domingo, 13 de outubro de 2024


 













Eu estava na escola quando tudo aconteceu. Uma confusão na sala de aula. Duas colegas constantemente em atritos, não se entendiam, estavam sempre se ofendendo e criando um clima ruim na sala.


Tentando acalmar os ânimos e resolver a questão, a professora disse a elas que precisavam se controlar, pois faziam parte da mesma turma, eram colegas.
Uma das alunas, a mais exaltada, falou:
__ Ela não é minha colega!
__ Como não? Vocês fazem parte da mesma turma, são colegas. E ela insistia em dizer:
__ Ela não é minha colega!

A única alternativa da professora foi pedir que ela pegasse o dicionário e procurasse a palavra “colega”. Ela leu:
__ “Uma pessoa que compartilha o mesmo ambiente de trabalho ou estudo com outra pessoa”.
A professora, então, aproveitou para conversar com a turma sobre amigos e colegas e a importância de cada um. Sim, existe diferença. É claro que num ambiente de trabalho ou estudo, nem todos são amigos, mas são colegas. Ninguém é obrigado ou obrigada a ser amigo ou amiga de alguém, mas todos devem se respeitar para que haja um ambiente tranquilo, seja na escola ou no trabalho.
Portanto, todas as pessoas com as quais você convive no ambiente de trabalho, na escola ou faculdade são seus colegas. Amigos são aqueles que encontramos fora desse ambiente, aqueles com os quais você para pra tomar um café, fazer um lanche, ir ao cinema, bater um papo...

Com esses, sem dúvida, a convivência é mais fácil, porém, diariamente, precisamos também conviver bem com os colegas, ainda que não sejam nossos amigos.

Penso, que naquele dia, a turma aprendeu essa lição.

Nilma Santos

Todo fim de tarde era assim... A noite se aproximava e a rua ficava lotada. Tinha a garotada que estudava, a galera que trabalhava, os que j...